Varal de Idéias

de tudo um pouco: sem normas, regras e padrões

Vale Tudo


“só não vale dançar homem com homem
nem mulher com mulher
o resto vale!”

Tim Maia cantava essa música nos programas de TV. Mas, nos shows ao invés de cantar “o resto vale”, ele dizia “só até as 22hs”.

Tim era assim. Libertário, libertino e muito, muito doidão. Ele não sabia o que era autoridade. Só tinha medo dos flagrantes da polícia diante de tanto bagulho e pó que carregava. Uma das poucas pessoas por quem Tim tinha respeito era o amigo “nelsomotta”.

O livro “Vale Tudo – o som e a fúria de Tim Maia” é uma delícia! É daqueles que não dá para parar de ler. Virou o cult desse comecinho de verão para mim. Nada mais carioca do que Tim Maia e suas músicas.

Nelson Motta foi muito generoso com o amigo. Das bad trips de Tim, ele pouco fala. Ficamos mais com a dor de cotovelo e as doideiras desse que para mim é dos maiores cantores da MPB. Dos que já se foram, são poucos os que tenho saudade: Tim, Cazuza, Nara Leão, Tom Jobim.

Enquanto a (minha) geração coca-cola chora por Renato Russo (que eu detesto), eu sinto falta desse negão desbocado, de vozeirão rouco, meio cafona e dos gemidos quando a língua travava de tanta cocaína e do célebre pedido de “mais retorno, mais tudo”.

Como eu me esbaldei ouvindo as músicas do Tim. Ao ler o livro também fiz uma viagem nostálgica aos anos 70, 80 e 90. As noites do Morro da Urca, ao Circo Voador, aos grandes shows no Canecão e Scala, a boate People, ao surgimento do Casseta & Planeta, do estouro de Sandra de Sá, do aparecimento de Ed Motta e Marisa Monte. Ri ao tomar conhecimento das frases bombásticas de Tim e saber de infinitos canos em shows Brasil afora.

Chegando ao final do livro, comecei a sentir raiva. Deu vontade de gritar: “porra, seu burro! Pára com tudo que você vai morrer!”. Assim, a gente vai lendo página a página a vida de rock and roll do Tim. Muito bagulho, muita cocaína e muita birita. Sexo com putas. Tim adorava transar com elas. Dá angústia saber que o final de Tim está perto, enquanto ele está, no livro, cada vez mais doidão, mais aloprado, mais drogado e bêbado.

“Ah!
Se o mundo inteiro
Me pudesse ouvir
Tenho muito prá contar
Dizer que aprendi…

E na vida a gente
Tem que entender
Que um nasce prá sofrer
Enquanto o outro rir…”

O síndico do Brasil não era mole.

Janeiro 3, 2008 Publicado por Mari | arte, artistas, literatura, livro, música | | Sem comentários ainda

Vidas em Arco-Íris


Comprei o livro da Edith Modesto na Bienal. Estou gostando demais! Ainda estou bem no começo, mas dá para perceber que tem um dos melhores ingredientes que um livro pode ter: honestidade.
O livro da Edith não quer ser mais do que ele é. Uma coletânea de depoimentos sobre a homossexualidade. São vários universos, histórias, discursos que se encontram nas perguntas feitas pela autora. Com isso dá pra se ter um panorama das dificuldades encontradas por gays e lésbicas. Em várias partes me emocionei com a intensidade dos relatos, com o sofrimento por que passaram alguns dos entrevistados. Ter emoção não transforma o livro da Edith em algo piegas. Pelo contrário! É a realidade daquelas pessoas. De cada um de nós.

Setembro 19, 2007 Publicado por Mari | homossexualidade, livro | | Sem comentários ainda