Atraso ou retrocesso?
Navegando pela internet, paro em sites LGBTT, blogs e colunas específicas de algumas mulheres que andam fazendo sucesso com suas piadas e receitinhas para lésbicas:
. O humor de um tal Manual é aterrorizante. Mal sabem as moças que elas não estão fazendo piadinhas legais com situações que acontecem com as lésbicas. Elas estão dando força para rótulos, estereótipos, padrões. Isso não é humor. Fazer isso é fácil! Humor bom é o feito na crítica, nos detalhes, na reflexão. Pegar situações cotidianas e transformar em situações padrões das lésbicas é patético. O pior é que fico chocada como as moças fazem sucesso. A mulherada acha graça e se acha bem retratada?
Como as lésbicas do meu Brasil varonil podem rir dessas situações? Concordarem com estereótipos e rótulos que no dia a dia impedem a livre expressão de quem somos? Da forma que amamanos?
. As colunas de comportamento são sofríveis! Desde quando comportamento se tornou choramingação de pitangas? Falar de suas próprias experiências? Comportamento é algo amplo, que pode abranger várias coisas, mas não exclusivamente experiências pessoais. Como se aquela pessoa tivesse visto e vivido de tudo e tivesse poder e sabedoria para falar de si como se fosse de todas? Faltou Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Carlos Heitor Cony, Otto Lara Resende nessa escola. Ter uma coluna não é olhar para o próprio umbigo e falar de si. É olhar para fora. Para o outro. Para disparar a reflexão diante do cotidiano. Nada além disso.
. Então, se eu acho o que anda por aí tão ruim, por que eu não escrevo?
Talvez, eu seja a menos jornalista das jornalistas. Nunca tive um ego suficientemente fortalecido (ou seria prepotência mesmo) de com a caneta na mão, querer impor minhas idéias ao leitor. Sempre achei que o jornalista/autor/escrevinhador deve somente pontuar e começar o assunto. A conclusão fica para o leitor. Com sua competência individual e suas ricas opiniões conquistadas e baseadas em suas próprias vivências. O resto é bla bla bla.
Kamasutra Lésbico
Está querendo apimentar a relação? Ou até mesmo se divertir?
Tenho umas dicas!
A Woman’s Touch : brinquedos, filmes e apetrechos para o sexo
Sexo entre Mulheres: um guia irreverente
Caso a coisa esteja “meio barro meio tijolo” ou se você está sozinha, roendo rodapé de parede, cansada dos sites brasileiros, tente conhecer alguém legal nesses sites de encontro:
Good Luck!
Tá delirando
Tem gente que não se enxerga mesmo, né?
A ex-sister Bianca Jahara vira ídolo para garotas gays
Página de recados da produtora se transforma em chat onde meninas marcam encontros
Desde que apareceu no Big Brother Brasil, Bianca Jahara virou ídolo para muitas garotas homossexuais. Em entrevista ao EGO, a produtora de moda conta que, quando deixou o confinamento e acessou a sua página no “Orkut”, viu que haviam transformado o seu espaço na internet numa espécie de “chat” onde meninas gays se conheciam e marcavam encontros.
Nova musa do Paparazzo, Bianca revelou durante sua entrevista que gosta de homem, mas tem uma explicação para tamanho sucesso com o público gay.
CARÊNCIA
“As lésbicas me têm como porta-voz. Várias delas nunca tinham visto o BBB e por minha causa passaram a assistir ao programa. Acho que tem a ver com o meu jeito. Elas são pessoas com carência em quem se inspirar no Brasil. Para elas, qualquer menina que aparece na mídia com o espírito ‘roquer’ vira heroína. Nós somos do underground”, acredita Bianca.
Bianca está amando a experiência de intermediadora dos encontros entre suas fãs. Aliás, segundo Jahara, ela tem ido além e agido também como conselheira para as meninas solitárias.
“Eu dou conselho, toques e elas ficam muito felizes”, afirma.
Ego
Vaidade

Hoje foi o dia de dar plantão no salão de beleza.
Não faço tudo no mesmo lugar. Gosto de fazer a depilação em um, cortar cabelo em outro, etc. Eu não cortava o cabelo há meses (mais de 6 – fiz as contas). Ela está dando a maior força para mudar o visual. Enfim, tomei coragem e fui.
O dia começou na depilação. Papo de salão é sempre o mesmo. Novela, calor, compras de Natal e blá blá blá. Até que a moça soltou a pérola:
“Seu maridão hoje vai fazer a festa! Como é que ele gosta da sua depilação? Virilha cavada ou mais peludinha?
Achei que não tivesse ouvido muito bem. Fiz cara de surda-desentendida. Ela repetiu a frase.
Não tenho muita paciência para esse tipo. Quando chego ao salão já sei que os papos serão esses. Abro um livro, balbucio algumas respostas e tudo certo. Mas, hoje, não resisti!
Imediatamente, falei:
“Eu não tenho marido. Tenho mulher”.
A cara dela foi de espanto! Sorriu um riso amarelo e falou algo como “ah, sei….”
Eu continuei: “eu não depilo para ela. Eu depilo do jeito que EU gosto”.
Passou um tempo, ela veio com a pergunta: “ué, vocês depilam? Achei que mulheres como vocês ficassem cabeludas mesmo. Que não gostam de depilação”.
Nesse momento, deixei a raiva de lado. Vi que a ignorância era maior do que qualquer coisa e resolvi explicar como funcionam as coisas para “mulheres como nós”.
Disse a ela que as lésbicas não são diferentes das outras mulheres. Que umas se arrumam mais que as outras, mas que, no geral, as lésbicas vão ao salão, fazem a unha, cortam cabelo. Somos mulheres comuns. Com as vaidades de qualquer mulher.
Ela se interessou pelo assunto. Me perguntou sobre a questão da unha curta, se as lésbicas passam gilete ou usam cera nas axilas e pernas, se a maioria usa cabelo curtinho ou se depilam a virilha.
O tempo passou e eu nem percebi. Não só o tempo, mas a dor foi-se com o papo. No final, ela já estava super a vontade com o assunto, me disse que gostou demais de me ter como cliente pois se ela teve alguma cliente lésbica , ela nunca ficou sabendo.
Eu disse a ela que a probabilidade é grande. Porém, muitas não falam por vergonha, por medo de serem recriminadas e ficam ouvindo ela falar aquela ladainha sobre “agradar o maridão”.
Eu fiz minha boa ação do dia. Munida de paciência fui argumentando com a depiladora e tentando passar o máximo de informação para ela sobre nós em um curto período de tempo.
Ganhei um abraço sincero.
Depois, fui cortar o cabelo. Mudança radical! Só sei de uma coisa: Ela vai ficar feliz!
Agora, não falta mais nada!

Tem muita lésbica querendo ter filhos. Até eu penso nessa idéia (muito de vez em quando). Sendo assim, ninguém mais precisa entrar em desespero.
Basta colher o material e pronto!
Lembram da Bette e da Tina querendo ter um bebê nos primeiros episódios do The L Word?
Elas arrumaram um carinha numa festa e levaram o sujeito pra casa. No começo, o cara estava animadão. Achando que ia rolar um super ménage à trois, mas quando sacou que elas só queriam o esperma dele, deu no pé! E ainda saiu reclamando que as lésbicas só querem isso de um homem!
Outra historinha bem legal sobre isso está no lindo Desejo Proibido com a Sharon Stone e a minha adorada Ellen DeGeneres. As duas vivem situações engraçadas e inusitadas para que a personagem da Sharon possa engravidar.
Mas a justiça resolveu esse grande problema das lésbicas!!!
Vi a notícia lá no Kibe Loco:
Usar esperma para engravidar sem autorização do homem pode render um processo, mas não caracteriza roubo porque “uma vez produzido, o esperma se torna propriedade da mulher”. O entendimento é de uma corte de apelação em Chicago, nos Estados Unidos, que devolveu uma ação por danos morais à primeira instância para análise do mérito.
Nela, o médico Richard Phillips acusa a colega Sharon Irons de “traição calculada, pessoal e profunda” ao final do relacionamento que mantiveram há seis anos. Sharon teria guardado sêmen depois de fazerem sexo oral, e usado o esperma para engravidar. Phillips ainda alega que só descobriu a existência da criança quando Sharon ingressou com ação exigindo pensão alimentícia.
Depois que testes de DNA confirmaram a paternidade, o médico processou Sharon por danos morais, roubo e fraude. Os juízes da corte de apelação descartaram as pretensões quanto à fraude e ao roubo, afirmando que “a mulher não roubou o esperma”, mas o caso por danos morais deverá prosseguir.
O colegiado levou em consideração o depoimento da médica. Ela afirmou que quando Phillips entregou seu esperma, deu “um presente”. Para o tribunal, “houve uma transferência absoluta e irrevogável de título de propriedade e não houve acordo para que o depósito fosse devolvido quando solicitado”.
4 olhos, 2 filmes!
Em um momento comemoração dos 2 anos, nós fomos ver dois filmes do Festival do Rio.
Depois de uma complicada estratégia para juntar nossos horários com a programação da mostra Mundo Gay, conseguimos ver: Antes que eu esqueça e Tick Tock Lullaby.
A platéia do cinema era composta por 99% de gays, incluindo 4 lésbicas.
O filme trouxe um visível desconforto aos homens, já que fala do envelhecimento e da solidão de gays que passaram a vida num círculo intenso de promiscuidade, prostituição e cafetinagem.
Alguns, não aguentaram e saíram no meio do filme.
Ela gostou muito! Eu acho que vale a pena ser visto independentemente da orientação sexual. Fala de um assunto universal para nós: doença, envelhecimento e solidão. Em alguns poucos minutos rola um sono. Super normal num filme francês, né? Se o filme não dá sono não é um legítimo filme europeu. Mas, a história é bonita e forte.
Histórinha bem comédia romântica. Duas lésbicas que querem ter um filho. Algumas risadas, agilidade de roteiro e desenhos lindos!
O final chega tão de repente que a gente fica se indagando se não está faltando mais uns 40 minutos de filme. Coisa rápida, humor inglês. Gostosinho. Não dá para ver esperando um filmaço. É diversão, aquilo ali e nada mais.
A atriz que faz a Maya (Raquel Cassidy) é linda!
Ficaram faltando muitos outros. Acho complicado um Festival que exibe mais de 300 filmes em apenas 15 dias. Eu ainda não consigo estar em dois lugares ao mesmo tempo. Acabamos perdendo um montão de filmes!
Ainda tenho a esperança de que alguns entrem em cartaz aqui. Pelo menos no Grupo Estação. É o caso de Short Bus.
Outros, só nas melhores locadoras do ramo daqui a algum tempo e o restante só apelando ao Santo eMule de cada dia!
Atraso!!!

É complicado para nós, ocidentais, entendermos os muçulmanos. Porém, não tem religião, país, crença que justifique a perseguição contra os homossexuais no Irã. Ontem, o presidente negou que há homossexualidade por lá. Nasceram todos heteros!! Deve ser o mundinho perfeito de Alá! Homem só gosta de mulher e vice-versa.
Pode me chamar do que quiser, mas sou realmente intolerante, quando qualquer país, relgião, pessoa, ideologia, crença, etc, se coloca em oposição a vida. Mahmoud Ahmadinejad não se satisfaz em perseguir os homossexuais, as mulheres também são alvo de seu conservadorismo.
Perguntinha que não quer calar…..Para que serve a ONU?
Se a Declaração de Direitos Humanos está sendo violada, a ONU deve intervir. Não digo dar uma de George-insano-Bush, mas tentar negociar pela preservação de uma vida digna para essas pessoas.
Eu sei que os países são soberanos, mas tem que existir alguma forma de limitar essa perseguição implacável contra mulheres e gays no mundo. Ou vamos continuar a aceitar que mulheres tenham seus clitóris esfacelados só para não sentiram prazer??
Dica…

Ainda não comprei o meu. Mas, não passa dos próximos dias. Para quem se interessar, basta clicar aqui.
Depois que ler, escrevo para contar.
O Cárcere e a Rua
O Cárcere e a Rua é um ótimo documentário feito por Liliana Sulzbach. O filme conta a história de três presidiárias (Claudia, Betânia e Daniela) no presídio Madre Pelletier, no Rio Grande do Sul. Cláudia, 54 anos, é a presa mais antiga. Uma espécie de “xerifona”. Ela está prestes a deixar o regime fechado após passar a maior parte da sua vida na prisão. Daniela está grávida, tem 19 anos e está entrando na penitenciária. Foi acusada de ter assassinado seu próprio filho. Betânia tem 28 anos. Vai para o regime semi-aberto.
Fora todo o questionamento psi (que motivou a exibição do documentário), Betânia me chamou a atenção pela transitoriedade de suas relações amorosas. O documentário começa mostrando Betânia ainda presa. Em depoimento, ela fala da dificuldade e do medo de sair do regime fechado, diz que não queria ir e ressalta que um dos motivos que a prende na penitenciária é a namorada/mulher/companheira. As duas dividem a mesma cela. Ainda na cadeia, Betânia conta que teve relacionamentos com homens, mas depois que conheceu sua companheira, ela prefere se relacionar com mulheres. Em várias ocasiões, Betânia diz que “homem não presta”. Ao sair da cadeia, ela passa uns dias no abrigo e em um dia de visita aos familiares, resolve não voltar mais. Betânia tenta se apossar da vida da maneira que pode. Com o passar do tempo, vai conhecendo e namorando rapazes. Esquece que “homem não presta” e volta a se relacionar com vários. Entre alguns, Betânia conhece um rapaz e vai morar com ele com menos de um mês de namoro. E o documentário/vida segue. Já no final do filme, ficamos sabendo que Betânia e ele se separaram porque “homem não presta” mesmo.
Sob que circunstâncias esquecemos o que somos e abraçamos alternativas apenas para sobreviver?
Será possível questionar a orientação sexual de Betânia? Ela é lésbica? Bi? Hetero?
Acho que tudo isso e nada disso.
Por mais que a gente tente, imaginar o que sente uma pessoa que está privada de sua liberdade é algo extremamente difícil. Diante de determinado contexto, nossa organização interna, subjetividade, valores, comportamento, entre outros, são modificados. Naquela situação, Betânia se deu o direito de amar e viver com uma mulher. Assim que ganhou a rua, ela voltou para o que lhe era familiar (os homens).
E nós? Que estamos pelas ruas, pelo mundo, “livres” podemos nos organizar de forma diversa?
Existem mulheres que se tornam lésbicas em razão de alguma(s) decepção com os homens?
Há o estar lésbica?
Na situação de Betânia, encarcerada, privada de qualquer coisa, acho que há muitas coisas. Qualquer maneira de tentar não enlouquecer, amargurar, deprimir, etc, vale a pena. Betânia encontrou conforto nos braços de outra presidiária. Se agarrou aquela relação para sobreviver afetivamente a vida na prisão.
Quantas mulheres são assim? Existem as que assumem uma relação homossexual para sobreviver as dores da vida?
Particularmente, acredito algumas tentam mas não conseguem manter. Até porque uma relação homossexual não difere em sua essência de uma relação heterossexual. São duas pessoas diferentes ajustando mundos para viver juntas com base no amor. As fugitivas (dos homens) não se sustentam numa relação lésbica. É muito mais fácil (e comum) uma lésbica permanecer a vida toda numa relação heterossexual do que o contrário.
A lógica é simples: manter uma relação hetero é o estabelecido para todas nós. É o aceito, estimulado e esperado. Para ter uma relação lésbica há que se fazer um esforço muito grande. É remar contra a maré. Não percebemos o quanto de esforço e manobras é preciso fazer porque isso em nós é natural. Não há possibilidade de não amarmos nossas mulheres, lutarmos para estarmos com elas, valorizarmos esse amor e sermos nós mesmas.
Ir contra um sistema de crenças não é tarefa fácil. Trafegar entre o socialmente aceito e o que dita nosso desejo é manobra constante. Por vezes cansativa, em outras entristecedora. Ficamos indignadas, iradas, feridas. Mas, não ser o que somos, amar quem realmente desejamos nos traz muito mais sofrimento do que lutar contra o status quo.
Se não somos isso, sucumbimos. Não há sofrimento maior do que viver inautenticamente.
Por isso, não acredito nas capas de revistas ou nas matérias de jornais que dizem que ser lésbica está na moda. Uma coisa são duas meninas se beijarem em uma boate. Outra é viver uma relação que não faz parte do cardápio social.
Em relação à Betânia: enviei um email para as produtoras do documentário para saber como estão as três atualmente. Espero que elas me respondam. Assim, quem sabe, poderemos ficar sabendo como anda (e com quem anda) Betânia.
Quem merece o título?
O UOL GAY tá fazendo uma votação muito interessante.
Para comemorar o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, o site está promovendo uma votação para saber qual mulher da história mais representa a visibilidade lésbica.
As candidatas são:
Angela Rô Rô
Billie Holiday
Camile Paglia
Cássia Eller
Elizabeth Bishop
Ellen DeGeneres
Emily Dickinson
Frida Kahlo
Gertrude Stein
Greta Garbo
Janis Joplin
(linda na foto! Fazendo topless em Ipanema, nos anos 70)
Jodie Foster
K. D. Lang
Leisha Hailey
Marlene Dietrich
Rosie O’Donnell
Ana Carolina
Anne Heche
Angelina Jolie
Beth Ditto
Martina Navratilova
Michelle Rodriguez
Sandra Bernhard
Tem umas que são ícones (pelo menos para mim): Gertrude Stein, Martina, Camile Paglia, Elizabeth Bishop, Ellen DeGeneres, Greta Garbo & Marlene, Beth Ditto (adoro!! Sou gorda, lésbica e feminista)!
A Cássia e a Rô Rô são marcos na história do Brasil. Mesmo.
Agora, tem umas que não entendo…..
Por mais que eu ame a Ana Carolina não sei se o papel dela é tão importante assim. Ela não é ícone, é ídolo! Coisas totalmente diferentes.
Alguém me explica a presença da Anne Heche? Da Angelina Jollie? E da Jodie Foster???
Estou indecisa!
Para votar, basta clicar aqui!
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