Varal de Idéias

de tudo um pouco: sem normas, regras e padrões

Um Tiro para Andy Warhol


Mais uma produção que está na lista obrigatória de Filmes Lésbicos.

Assisti o filme no Telecine Cult uma noite dessas.

Eu não conhecia a história da vida de Valerie Solanas. Mas, já tinha lido sobre ela num trecho do livro “Mate-me, por favor” (um livro ótimo que conta a história do punk). Em compensação, não há quem more neste planeta, nos dias de hoje, e não tenha ouvido falar do artista plástico, cineasta, produtor cultural, Andy Warhol.

Valerie foi tão vítima quanto Warhol. Apesar da moça ter cometido um atentado contra ele, em 1968.

Valerie fala sobre o atentado: “Eu considero isso um ato moral. Imoral foi eu ter errado. Deveria ter treinado mais”

Os caminhos de Warhol e Valerie se cruzaram no desespero da moça em encontrar um patrocinador para sua peça de teatro. Valerie escrevia peças e artigos em que desancava os homens. Para ela, as mulheres eram infinitamente superiores que os homens e todas tinham que se unir e tomar o poder.

Lésbica assumida, masculinizada, Valerie se prostituía para sobreviver. Não importava com quem fosse desde que estivesse pagando. Geralmente, eram homens que tinham fantasias sexuais e queriam uma prostituta (diferente dos padrões) para realizá-lo.

Uma travesti, amiga de Solanas, é chamada para participar de uma cena em um dos filmes underground de Andy Warhol no estúdio dele, chamado “A Fábrica”. Lá foi Valerie atrás de Warhol.

Não se sabe a razão. Nem mesmo a entourage que cercava Warhol entendia porque o artista dava tanta atenção aquela dyke. Wahrol gostava da presença de Valerie, mas dizia que não trabalhava com teatro e que o texto dela era sujo demais para ser encenado. O que o filme mostra é que quanto mais Valerie ficava atrás de Warhol para ele ajudar financeiramente na montagem de um de seus textos, mas Andy se desinteressava por ela. Era como se naqueles louquérrimos anos 60, a estranheza tinha que vir e ir num frenesi.

Valerie não agüentou a rejeição. Foi atrás de Andy e atirou no artista.

A rejeição foi a gota d’água para uma história de abuso e sofrimento. Abusada sexualmente quando criança pelo pai, Valerie foi abandonada pela mãe. Viveu em orfanatos, nas ruas, até que conseguiu uma bolsa de estudos para fazer Psicologia em uma universidade. Apesar das notas altas e do ótimo rendimento, Valerie não pensava em trabalhar. Sua obsessão era comprovar que as mulheres (fêmeas) eram superiores aos homens (machos) e que estes
deveriam ser exerminados. Tanto que Solanas
escreveu o SCUM Manifesto. Obra que foi aplaudida
por feministas do mundo todo anos depois.

O bom do filme é que ele não tem seu ápice no atentado. A vida toda de Valerie através de sua presença, imagem, comportamento já é inquietante. É nítido ver que tudo ali está errado. Já começa desequilibrado.

Tive a impressão que se não fosse Warhol seria um outro qualquer. Valerie não agüentou mais não ter sua voz escutada. Aconteceu de ser Andy Warhol. Ele era o nome naqueles anos em Nova Iorque.

Warhol não morreu no atentado. Levou três tiros. Mas, dizem que ele nunca mais se recuperou. Se tornou altamente paranóico.

As cicatrizes do atentado sofrido por Andy Warhol
por Richard Avedon

Fevereiro 1, 2008 Publicado por Mari | feminismo, filmes, lésbica | | 1 Comentário

O Amor é Lindo!

Volto eu com Daniela Mercury.
Mais uma vez, meu grande amigo entrevistou a cantora. Está lá na coluna Retratos da vida.

A letra da nova música já diz tudo. Tudo que a Daniela quer, eu quero também.








Quero a felicidade

Daniela Mercury / Manno Góes

Quero toda a Alegria que há

Quero Quadros Vermelhos

Quero Tudo que se tem pra trocar

Que seja verdadeiro…Dinheiro Não!

Barracos por casa

e histórias pra contar

Roupa bem lavada e um colo pra ninar

Massa feita em casa, puro fado pra cantar

Paredes pintadas e uma moça pra dançar

Quero pátria, Quero chão

Quero a massa, Quero a nação

Quero Sexo, Quero Paixão

Quero Arte, Quero Pão

Quero a Felicidade, Quero a Felicidade

Quero a Felicidade, Quero a Felicidade

Quero toda a Alegria que há

Quero Quadros Vermelhos

Quero Tudo que se tem pra trocar

Que seja verdadeiro…

Músicas por palmas

E a Beleza da canção

Redes Penduradas

E um bordado de coração

Uma Namorada

E uma carta escrita a mão

Liberdade por nada

E a esperança que não morre não

Quero Preto, Quero Branco

Quero Beijo, Quero Tanto

Quero Família, Quero Amizade

Quero Leveza e Honestidade

Quero Maria, Quero João

Quero Igualdade, Indignação

Quero Verdade e Sabedoria

Pra Enfrentar o que nos desafia

Quero a Felicidade, Quero a Felicidade

Quero a Felicidade, Quero a Felicidade

Quero Amor, Quero Abraço

Quero Poesia, Esperança e Generosidade

Quero o q? Quero o q?

Quero o q? Quero o q?

Quero Igualdade

Quero o q? Quero o q?

Quero o q? Quero o q?

Quero a Verdade!

Quero o q? Quero o q?

Quero o q? Quero o q?

Quero Amizade!

Quero a Felicidade, Quero a Felicidade

Quero a Felicidade, Quero a Felicidade

# Gosto muito da Daniela desde a música “Nobre Vagabundo”. Até então, ninguém tinha cantado a cabeça de um arian@ tão bem!

Quanto tempo tenho
Pra matar essa saudade
Meu bem o ciúme
É pura vaidade
Se tu foges o tempo
Logo traz ansiedade
Respirar o amor
Aspirando liberdade

Tenho a vida doida
Encabeço o mundo
Sou ariano torto
Vivo de amor profundo
Sou perecível ao tempo
Vivo por um segundo
Perdoa meu amor
Esse nobre vagabundo

Novembro 2, 2007 Publicado por Mari | lésbica, namoro | | 1 Comentário

Extra! Extra!

Deu no Jornal Extra Online de hoje:

Tudo arco-íris para Daniela Mercury

Um boato daqueles de cair o queixo: Daniela Mercury estaria namorando… uma mulher. Isso mesmo. Não se fala em outra coisa na classe artística de Salvador. A sortuda seria uma arquiteta que mora em Nova York. A coluna procurou a assessoria de imprensa da baiana para confirmar a informação e, horas depois, recebeu a seguinte resposta: “Não falamos da vida pessoal da cantora”. A coluna, então, questionou que os leitores poderiam interpretar essa declaração como praticamente um sim, já que Daniela poderia apenas negar os boatos. A assessoria de imprensa foi enfática: “Não tem problema. O leitor pode interpretar como quiser. É essa a posição que escolhemos adotar”.

Enquanto ela não se pronuncia, a única certeza que liga a cantora de 42 anos ao mundo gay é que Daniela é cada vez mais querida pelo público GLS. No próximo carnaval, os “órfãos“ do antigo bloco gay Os Mascarados sairão no Crocodilo, bloco da cantora. Daniela foi casada por 12 anos e tem dois filhos.

O colunista em questão é meu amigo pessoal. Não; mais do que isso! É um grande amigo-irmão.
Estudamos juntos na faculdade de Jornalismo. Como jornalista, atesto a idoneidade do colunista. Profissional sério, competente. Não faz fofoca infundada, não tem interesse em denegrir a imagem de qualquer pessoa. Investiga antes de publicar e apura com rigor fatos e informações.

Nada disso garante que realmente Daniela está namorando uma mulher, mas o boato não foi criado do nada. Se ele assinou, eu assino embaixo!

Outubro 22, 2007 Publicado por Mari | gls, lésbica, namoro | | 2 Comentários

Notas sobre um Escândalo


Temos assistido a vários filmes. Geralmente, no final de semana, Eu & Ela estamos exaustas da batida da semana. Temos curtido ficar em casa vendo DVDs.
Vimos Notas sobre um Escândalo há duas semanas. Não escrevi antes sobre o filme por falta de tempo mesmo.
Quando lançaram, ouvi comentários de que era um filme lésbico “enrustido”. De certa forma é e não é. Porém, acima de tudo é um filme sobre o desespero a que as pessoas podem chegar decorrente da solidão humana.
Não vou contar a história porque tem gente que ainda não viu o filme. E não é isso que me chamou a atenção na trama.
Em primeiro lugar estão as majestosas atuações de Judi Dench e Cate Blanchet. Perfeitas! Lindas!
Judi Dench é uma das melhores atrizes do cinema mundial atualmente. Cate Blanchet também é muito boa. Quando se junta ótimas atrizes com um excelente roteiro se faz arte!
A personagem Barbara (feita por Dench) angustia a todas nós. A que ponto pode chegar uma velha lésbica a procura de companhias jovens e bonitas? Até que ponto algumas atitudes são atos de”loucura” ou de “cretinice”?
Não há como deixar de pensar na Lei do Biscoito Tostines: Barbara é solitária por que é louca? Ou é louca por que é solitária?
No que a vida (e nossas escolhas) pode transformar a todas nós?
Todas temos um “que” de Barbara. Todas! Qualquer ser humano sente uma certa amargura por estar de “fora” da festa. Todas nós queremos que nosso objeto do amor só tenha olhos para a gente. Que nós possamos ser o seu mundo. Todas nós criamos “historinhas” para justificar nossos atos. Todas nós temos um “diário” mental onde escrevemos nossas verdadeiras opiniões sobre o filho da amiga, a colega do curso, a amiga da amiga e outros. A Barbara é a ácidez que habita em nós. É o limão azedo que engulimos nas relações. É a porrada da vida: quando, por n razões, perdemos a pessoa amada.
A única diferença entre a nossa quantidade de Barbara e a personagem do filme é que no dia seguinte, a gente levanta e recomeça. Dá um jeito de relevar se o filho da amiga é isso ou aquilo, tenta se convencer que a colega do curso pode ter suas qualidades, tenta arrumar um convite pra festa da vida e vai procurar um outro objeto do amor. As Barbaras ficam. Estacionam. São como aranhas. Ficam esperando a mosca se distrair durante o vôo e ficar agarrada na teia. Vendo que os alvos estão totalmente enrolados nos fios, elas começam a ir na direção do inseto. O inocente bichinho, naquele momento, não sabe que será engolido pela aranha. Porém, quando ele menos imagina, ela a prende com suas patas e o arrasta de uma vez só. Não há possibilidade de fuga. De sobrevivência. Ela pega para matar.
Assim são as Barbaras da vida. O mundo está cheio delas. Pessoas que foram totalmente corroídas pela amargura e se tornam perversas. Não no sentido de má, mas são pessoas que passam a achar que podem tudo, já que os outros têm. O pervertido é o que não entende a ética e a moral como os outros. Ele perverte esses códigos. Cria outros, particulares, para inserir no lugar. Isso acaba por justificar todas as suas atitudes.
O importante é não fingir que nossa Barbara existe. Calar a voz dela dentro de nós. Ela existe, está aí e precisa ser olhada, cuidada, administrada. Para que não inche, transborde e queira o que ela não tem. Doa a quem doer. Passando por cima de tudo e de todos. Inclusive, de nós mesmas.

Setembro 19, 2007 Publicado por Mari | filme, loucura, lésbica | | Sem comentários ainda

Dia Nacional da Visibilidade Lésbica


“Sonhar é acordar-se para dentro” – Mário Quintana

Agradeço, do fundo do meu coração, a todas essas maravilhosas mulheres que lutaram e lutam pelos nossos direitos. Os tempos são outros. Depois que as Alemanhas se reunificaram, o capitalismo invadiu a Rússia e a China abriu franquias do McDonald’s, torna-se cada vez mais difícil a corporificação de uma luta.
Falta muito ainda para eu me sentir realizada. Gostaria de poder dar a mão para a minha mulher na rua sem ter medo de apanhar, declarar abertamente minha orientação sexual sem temer represálias, me assumir em todas as instâncias da minha vida. Faço quando me sinto segura. Para quem confio e atuo onde e quando posso. Não sou panfletária e não acho que preciso ser. Há espaço para todas nós lutarmos em nossos pequenos universos. Atualmente, estou tentando dar prosseguimento a um estudo sobre famílias homoparentais em uma cadeira do curso de Psicologia. Comecei esse trabalho no período passado. Foi muito bem aceito pelo professor da época. Transferência feita para uma universidade católica, tento dar continuidade a essa pesquisa em uma nova matéria. É pouco? Para muitos é, mas para mim não. É o que posso. Repercutir esse assunto em uma sala de aula com 50 psicólogos em formação, fazendo com que pensem no assunto, reflitam sobre a questão e se abram a essa possibilidade, é maravilhoso. Esses futuros profissionais podem estar, amanhã, na escola de nossos filhos, nas varas de família que dão o parecer sobre um pedido de adoção de qualquer uma de nós e por aí vai…
Sendo assim, acredito que todas nós podemos fazer nossa parte. Há mulheres maravilhosas que se prontificam a ir para a luta pública. Que conseguem promover a mobilização. Admiro demais todas elas. Eu sou daquelas que trabalha em silêncio, tentando modificar o status quo através da quebra de paradigmas e da ruptura de crenças.
Não importa o que se faça (ou mesmo que não se faça nada), o importante é que hoje já podemos nos denominar lésbicas. Antigamente, éramos mulheres que não podíamos pronunciar o nosso amor. Somos mulheres que amam mulheres e não mais o amor que não ousa dizer seu nome. Por mais que se lute contra rótulos, desse eu tenho muito orgulho. Sou lésbica sim. Não escondo o que sou nem tenho vergonha. Questionamentos tive e tenho muitos. Vontade de que as coisas mudem, mais ainda.
Desejo que chegue um dia em que não tenhamos que comemorar essa data. Que não haja Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, Dia Internacional da Mulher, Dia de Zumbi dos Plamares, etc. Que as “minorias” estejam totalmente integradas que se percam na multidão. Que sejam apenas mais rostos entre tantos que estão no mundo.
Que todas nós possamos ser apenas nós mesmas. Seres humanos sem designações relacionadas a raça, etnia, religião ou orientação sexual.
Enquanto isso, lésbica sim por que não?

Feliz Dia Nacional da Visibilidade Lésbica para todas nós!
Que nós possamos nos amar e amar cada vez mais nossas mulheres!!!

Esse artigo da Nina Lopes, no Mix Brasil, sobre a data de hoje está muito bom! Vale a pena ler!

Agosto 29, 2007 Publicado por Mari | lésbica, orgulho | | Sem comentários ainda