A bolha – The Bubble
Assistimos The Bubble no final de semana. O novo filme do diretor americano Eytan Fox. Achei o filme super interessante. Delicado, eu diria também.
Tel Aviv é conhecida por ser A Bolha. Com uma cena cultural mais intensa, os moradores de Tel Aviv são criticados por viverem de forma mais alienada dos conflitos entre israelenses e palestinos. No filme, três amigos moram juntos: Lulu, Yelli e Noam em um bairro transado da cidade. A vida de todos muda depois que Noam se apaixona pelo palestino Ashraf. Todos passam a morar juntos e……
É uma aula ver a relação dos judeus e palestinos com os homossexuais. O diretor do filme esteve em São Paulo recentemente e afirmou que os homossexuais não enfrentam preconceito em Tel Aviv. Para ele, os anos de opressão aos gays, contraditoriamente, acabou diminuindo o preconceito. Por outro lado, para os muçulmanos não há a possibilidade de um amor homossexual. Que ele existe, é óbvio. Mas, não é respeitado, tolerado ou aceito. Fora isso, o filme aborda a questão do conflito entre judeus e palestinos que parece não ter solução. No filme fica claro a intolerância. Por ser judeu, o diretor puxa um pouco a sardinha para os seus. Os judeus aparecem como mais liberais, serenos, menos fundamentalistas, tolerantes e dispostos a um acordo de paz. Sabemos que não é assim. Não vou cair na questão política-religiosa do conflito porém os xiitas e fundamentalistas estão dos dois lados.
The Bubble é uma história de amor. Um drama de guerra. Tem um “que” de Brokeback Mountain. Dois homens e um amor impossível. Vale a pena ser visto. Pela modernidade do filme, pelo roteiro inédito e pela disposição de tocar em um assunto complicado. Além disso, o ator Alon Friedman que interpreta Yelli oferece algumas cenas para boas risadas. Outro ponto alto é a rave numa praia nos arredores de Tel Aviv. Uma festa pela paz. O que nos faz pensar o seguinte: árabes, judeus, católicos, brancos, negros, orientais, budistas, etc, somos todos iguais e queremos a mesma coisa da vida. Amar, ser amado, ser feliz por alguns momentos em meio a esse caos que é o mundo pós-moderno.
Notas sobre um Escândalo

Temos assistido a vários filmes. Geralmente, no final de semana, Eu & Ela estamos exaustas da batida da semana. Temos curtido ficar em casa vendo DVDs.
Vimos Notas sobre um Escândalo há duas semanas. Não escrevi antes sobre o filme por falta de tempo mesmo.
Quando lançaram, ouvi comentários de que era um filme lésbico “enrustido”. De certa forma é e não é. Porém, acima de tudo é um filme sobre o desespero a que as pessoas podem chegar decorrente da solidão humana.
Não vou contar a história porque tem gente que ainda não viu o filme. E não é isso que me chamou a atenção na trama.
Em primeiro lugar estão as majestosas atuações de Judi Dench e Cate Blanchet. Perfeitas! Lindas!
Judi Dench é uma das melhores atrizes do cinema mundial atualmente. Cate Blanchet também é muito boa. Quando se junta ótimas atrizes com um excelente roteiro se faz arte!
A personagem Barbara (feita por Dench) angustia a todas nós. A que ponto pode chegar uma velha lésbica a procura de companhias jovens e bonitas? Até que ponto algumas atitudes são atos de”loucura” ou de “cretinice”?
Não há como deixar de pensar na Lei do Biscoito Tostines: Barbara é solitária por que é louca? Ou é louca por que é solitária?
No que a vida (e nossas escolhas) pode transformar a todas nós?
Todas temos um “que” de Barbara. Todas! Qualquer ser humano sente uma certa amargura por estar de “fora” da festa. Todas nós queremos que nosso objeto do amor só tenha olhos para a gente. Que nós possamos ser o seu mundo. Todas nós criamos “historinhas” para justificar nossos atos. Todas nós temos um “diário” mental onde escrevemos nossas verdadeiras opiniões sobre o filho da amiga, a colega do curso, a amiga da amiga e outros. A Barbara é a ácidez que habita em nós. É o limão azedo que engulimos nas relações. É a porrada da vida: quando, por n razões, perdemos a pessoa amada.
A única diferença entre a nossa quantidade de Barbara e a personagem do filme é que no dia seguinte, a gente levanta e recomeça. Dá um jeito de relevar se o filho da amiga é isso ou aquilo, tenta se convencer que a colega do curso pode ter suas qualidades, tenta arrumar um convite pra festa da vida e vai procurar um outro objeto do amor. As Barbaras ficam. Estacionam. São como aranhas. Ficam esperando a mosca se distrair durante o vôo e ficar agarrada na teia. Vendo que os alvos estão totalmente enrolados nos fios, elas começam a ir na direção do inseto. O inocente bichinho, naquele momento, não sabe que será engolido pela aranha. Porém, quando ele menos imagina, ela a prende com suas patas e o arrasta de uma vez só. Não há possibilidade de fuga. De sobrevivência. Ela pega para matar.
Assim são as Barbaras da vida. O mundo está cheio delas. Pessoas que foram totalmente corroídas pela amargura e se tornam perversas. Não no sentido de má, mas são pessoas que passam a achar que podem tudo, já que os outros têm. O pervertido é o que não entende a ética e a moral como os outros. Ele perverte esses códigos. Cria outros, particulares, para inserir no lugar. Isso acaba por justificar todas as suas atitudes.
O importante é não fingir que nossa Barbara existe. Calar a voz dela dentro de nós. Ela existe, está aí e precisa ser olhada, cuidada, administrada. Para que não inche, transborde e queira o que ela não tem. Doa a quem doer. Passando por cima de tudo e de todos. Inclusive, de nós mesmas.
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