"Outing da Semana"

Começamos bem a segunda-feira.
Marina Lima afirmou sem meias palavras que “o mundo todo é gay”. Só que a desaparecida cantora deu uma de Ana Carolina e disse que está aberta para namorar homens e mulheres.
Pronto!
Os perseguidores de plantão vão cair de pau nela!
Imagina….Marina Lima bi???
Mal sabe ela que era melhor ter ficado calada!!!
Para piorar a situação, Marina disse que está “cansada com a insistência sobre o assunto bissexualidade”. E completou: “É engraçado como todo mundo precisa desse papo ainda”.
Ah, Marina Morena…..prepare-se! Vai chover pedra no seu telhado! A patrulha ideológica não vai te deixar em paz!!!
Freak Girl
“Você é muito esquisita!”
“Você é diferente demais!”
Quero saber quem nunca ouviu frases como essas. Parece que as lésbicas são as que mais ouvem.
Não estar enquadrada no padrão chama mais atenção do que pendurar uma melancia no pescoço.
Eu queria ser invisível. Não queria ser notada de forma alguma. Não gostava nem de respirar para não fazer barulho. Gostava de ser pálida. Quase sem cor. Não ria nem chorava. Mesmo com tanto esforço ecoava em meus ouvidos o rótulo de esquisita.
Naquela época eu não sabia do que gostava nem do que não gostava. Eu vivia extremamente incomodada. Desconfortável comigo mesma. Com minha vida, pensamentos e voz.
Me lembro das colegas da escola, saindo correndo da sala assim que tocava o sinal para o recreio, só para fofocar. Elas tinham tanto assunto! Eu não. Faltava palavras. Ouvia elas rindo e falando da festinha. Eu lembro! Estive na festinha. Estive mesmo? Eu fui, mas não estava lá. Poucas eram as diversões, pequena era a interação. Aprendi a me fazer companhia. A ser minha melhor amiga, confidente, namorada, irmã.
Eu sempre me sentia errada, fora do contexto. Vivia isolada. Não queria contato. Não queria porque, de repente, os outros podiam reparar que eu era estranha. Às vezes, quando chegava em casa, me trancava no quarto e me escondia. Tudo doía. O corpo, a mente e a alma.
Não consigo precisar quando a dor passou. Não faz muito tempo pois ainda me lembro dela. Nítida. Porém, cheguei até aqui. Arrumei maneiras de driblar as angústias, esconder o descontentamento e fingir que, afinal, eu não era esquisita. Era comum. Como todas. Eu não enxergava. Olhava para os lados. Via a vida alheia passar. Os padrões, os modelos, os estereótipos e as expectativas.
Que mulheres são essas?
Me entristecia não ser como elas. Queria chegar em casa à noite, depois de um dia inteiro na labuta e não ter nem um único fio de cabelo fora do lugar, como se tivesse acabado de me pentear. Eu era sempre tão descabelada!
Evitava ser diferente. E repetia, como forma de me convencer, o mesmo mantra:
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“Mulher quer casar e ter filhos.
A mulher só se realiza na maternidade.
Toda mulher tem que ser feminina e doce, meiga e compreensiva.
Mulher não pode ser briguenta e mandona.
A boa esposa vive a sombra do marido.
A mulher é o esteio da família”
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Repeti até que quase me convenci. Sem ao menos esperar e sentir, a vida foi mais forte. Eu fui mais forte. Adoeci. Minhas feridas não paravam mais de sangrar. Morri por dentro. Não adiantava mais fingir, enganar. Eu não era mais nada. E só tive uma alternativa: viver. Ser a tal esquisita que tanto evitei.
Depois de anos de isolamento, a esquisitinha encontrou a si mesmo.
E, passo a passo, aprende a viver. A saber que existem possibilidades. Que a vida é boa e que ser autêntica é a melhor coisa que podemos ser.
Verdade ou Mentira?

A notícia de que a bandeirinha Ana Paula Oliveira é lésbica e mora com a prima/namorada (que também é sua assessora) está por toda a internet.
Ana Paula nega.
Fiquei pensando…..até que ponto uma pessoa tem que assumir sua orientação sexual? Realmente é preciso que pessoas públicas se assumam? Ajuda a diminuir o preconceito?
Eu acho que ninguém tem que nada! Até porque sair do armário é uma decisão pessoal. Parafraseando Caetano Veloso, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Portanto, só quem sabe de si, da sua vida, dos seus sentimentos, de seus valores, de sua sobrevivência é cada um de nós. Os panfletários podem usar exemplos como o da Ellen De Generes, ou Rupert Everett artistas que assumiram publicamente sua orientação sexual. Seria ingênuo pensar que os dois não sofreram preconceito ou tiveram perdas em suas carreiras, mas o fundamental é que ambos (e muitos outros que saíram do armário) fizeram porque quiseram. Porque estavam prontos para isso. Dispostos a encarar as dificuldades provenientes de uma atitude como essa. A especulação da imprensa sobre a sexualidade de artistas e famosos é inócua. Muitos criticaram a postura de Ana Carolina quando disse em entrevista para a Veja que era bissexual. E se é assim que ela se vê? Quem vai dizer ao contrário? Só se tem notícias dela com sua namorada de anos. Ela canta aos quatro ventos que “gosta de mulher”, mas será que a Ana Carolina não pode considerar a possibilidade de ser Bi e ter uma relação com um homem caso queira? A Cássia Eller fez isso e ninguém falou bulufas. Chicão, filho dela e de Maria Eugênia, foi parido pela Cássia, que assumiu que transou com um homem e ficou grávida. E aí? Pq a Cássia é diferente da Ana Carolina? Para o pessoal da patrulha ideológica se não dançar conforme a música não pode fazer parte do baile. Cada ser humano é único!!! O cara pode estar na novela ou a fulana fazendo sucesso como cantora porém ainda estar pensando sobre si mesmo, sobre sua orientação, recapitulando valores, etc. As pessoas não nascem prontas e descobrir sua orientação sexual não significa que a pessoa já está preparada para colocar a cara na janela é gritar para o mundo que é gay/lésbica!
Por trás do artista/famoso/cantor/escritor existe um ser humano. Que tem seus tempo e suas limitações.
As pessoas que ficam indignadas com o fato de beltrano ou sicrano não se assumirem mostram que não têm respeito e sensibilidade com o outro. Essas pessoas lutam por uma padronização dos homossexuais e alardeam um preconceito às avessas.
É estranho pq os gays se vêm como pessoas mais compreensivas devido ao intenso sofrimento com a própria sexualidade. Eu não discordo que quanto maior for a visibilidade, menor será o preconceito. Muito menos que as pessoas se assumam e aproveitem a vida como são. Também acho babaca essa norma de que os artistas devem ser sempre hétero. O que questiono é essa enorme cobrança que se faz para a pessoa se assumir.
A bandeirinha estava a fim de ganhar uma grana. Fez umas fotos nuas. E já é obrigada a assumir que vive com a prima? Antes da publicação da revista, ninguém estava nem aí pra vida sexual dela. Os panfletários de plantão já estão chamando ela de “traídora, “covarde”, etc. Quem passou por isso recentemente foi o atleta Diego Hypólito. Mal ele tinha acabado de receber a medalha de ouro no PAN, já corriam emails pela internet questionando a orientação sexual do Diego.
Por que e para que tanta pressa? Qual a necessidade de exigir que todos saiam do armário vistam a camisa e se engajem no movimento?
Fazer isso por pressão não é nada interessante para a causa e para a pessoa. É preciso estar inteiro, disposto, forte e coerente. E mais do que tudo, é preciso querer!
Que "catiguria"!

Deu na imprensa que Thammy Miranda (filha da Gretchen) vai estrelar um filme pornô com a ex-namorada, Julia Paes. Não sou moralista nem tenho nada contra a indústria pornô. Muito pelo contrário. Acho que o sexo (e todas as fantasias que o cercam – inclusive as que são vendidas pela indústria pornô) devem estar a disposição.
Sexo é ótimo e delicioso e um filme pornô aqui, uma olhada em uma revista ali ou o uso de alguns objetos (os terrivelmente chamados “brinquedinhos sexuais”) podem proporcionar muito prazer.
O que eu acho ruim é o cunho “machista” do produto que será vendido. Tudo bem. Posso estar me precipitando, mas todos os trechos de filmes que vi da Brasileirinhas (produtora do filme em questão) são para o público masculino. Mais uma vez, o sexo entre duas mulheres será vendido como um fetiche, uma fantasia. A consequência disso é que a homoafetividade vai ficando em segundo plano.
Não acho que o que defina um gay ou uma lésbica é apenas o tesão por uma pessoa do mesmo sexo. Transar com pessoas do mesmo sexo pode ser apenas uma diversão, uma curiosidade, um momento. Agora, ter uma relação afetiva com uma pessoa do mesmo sexo é o que, para mim, define a homossexualidade. Estar com uma pessoa do mesmo sexo não é apenas uma questão sexual. Estar com alguém do mesmo sexo é comungar do mesmo físico, compartilhar do mesmo universo e enfrentar toda a gama de aspectos sociais.
Se a Thammy fez o maior estardalhaço na imprensa para sair do armário, ok. A vida é dela e ela faz o que bem quiser. Mas fazer um filme pornô e vender o “amor/sexo/relação entre duas mulheres como algo que se resume a uma grande putaria para o público masculino, acho de quinta categoria.
É por dinheiro. É para não sair da famigerada mídia.
Mas, peralá….
Foi a própria Thammy que disse, nos vários programas de TV que participou, que ela sofreu muito como simbolo sexual, vendendo o corpinho nu em vários ensaios fotográficos ou rebolando em cima de palcos por todo o Brasil, ao som de um playback ridículo das músicas de mamãe Gretchen.
Ela agora quer o que? Nesse filme que Thammy está fazendo, ela vai fazer o que sempre fez. Só que ao invés de estar sozinha, vai estar beijando e transando com a ex. Vendendo o corpo para alimentar a machista indústria pornô .
Coitada….tá perdendo uma ótima oportunidade de fazer um filme pornô inédito. Um filme feito por uma lésbica para o público les. Filme que eu acho que teria cenas bem diferentes das ordinárias transas entre duas mulheres que estão por aí.
Variações sobre o mesmo tema….

Fazendo uma pequena pesquisa na internet, descobri essa lista de sinônimos para a palavra vagina.
Vagina é uma palavra que eu não uso muito. Somente em conversas formais ou em consulta médica. Eu gosto é de boceta!
Mesmo sendo vista por muitos como vulgar, eu falo boceta. A minha e a das outras. Acho a palavra sonora, gostosa, picante. Nada de xana, perseguida ou coisas semelhantes.
Agora, tem algo mais broxante do que ter a sua boceta chamada de “rego de mijar”?
Na lista de sinônimos encontramos a boceta politizada (Fidel Castro), a hollywoodiana (Greta Garbo), a mimosa (caixinha de segredos), a easy rider (porteira do mundo), a machista (bainha de homem), a mítica (boceta de Pandora), a geográfica (Países Baixos), a rockeira (microfone cabeludo), a brega (capô de fusca) entre muitas outras!
Essa é a lista:
buceta ou boceta, xana, xoxota, caixa cabeluda, esfiha aberta, hambúrguer, capo de fusca, racha, xavasca ou chavasca, perereca, periquita ou priquita, tabaca, tcheca, chechenia, batatinha, aranha, larga, aguada, apertada, arrombada, bela, perseguida ou prissiguida, bochechuda, cabeluda, crespa, papuda, pentelhuda, preta, suada, fofa, gostosa, receptáculo, estojo, bainha, entrada, arapuca-de-caçar-pinto, arca-conana, bainha, bainha-de-homem, barroca (ó), baú, boca-de-baixo, boca-de-bicho, boca-de-cabelo, boca-de-jacaré, boca-de-sapo, boca-do-mato, boca-do-corpo, boca-em-pé, boca-sem-dentes, boeta, bolsa-de-valores, brecha, buraco-de-minhoca, caixinha-de-segredos, caneco-de-couro, canoinha, carteira, cartola, castelo-do-amor, caverna, chincha, canoa, canoinha, concha, cova, loca, engole-cobra, engole-espada, fenda, forno, furna, gaveta, grota, greta, gruta, gretagarbo, gruta-do-amor, goelão, enxu, vespeiro, colmeia, lance, lanho, lasca, lascão, lascadinha, lascada, mealheiro, cofre, moente, moedor, moedouro, ninho-de-piroca, ninho-de-rola, olha, panela-rachada, pichéu ou pichel, vasilha de vinho, porteira-do-mundo, racha, rachadura, rego, rego-de-mijar, samburá, cesta, tabaqueira, tabaco, tigela-com-pêlos, vaso, vaso dianteiro, vão, caixa, caixinha, escrínio, boceta de Pandora, aranha, arraia-preta, bacalhau, bacorinho, barata, baratinha, bichana, borboleta, cachorro, caranguejeira, caranguejo, concriz ou concliz, cururu, lacraia, marisco-da-barra, marmota, mosca, pássara, pássaro, passarinha, pomba, pombinha, rata, rola, rolinha, sapo, sururu, tatu, ursa, áfrica, almofada, aposentos privativos, balceira, bigode, bisegre, bombril, cachimbo, caiçara, cara-preta, cara-de-sapo, casco-de-veado, casco-de-veadinho, cuscuz, engenho-d’água, entre-pernas, fábrica-de-fazer-boneco, fábrica-de-fazer-menino, ferida, fidel-castro, fonte, gramado, ilha-negra, ímã-do-mundo, isqueiro, lambedeira, nascedouro, mapa-múndi, máquina-de-fazer-menino, mata, mata-homem, meio e meios, microfone-cabeludo, mijador, carne-mijada, mijadeiro, nascedouro, olho-d’água, países-baixos, pé-de-barriga, jóia, joinha, prendas, rocinhas, segredo, segredinho, tira-prova-de-homem, touceira, triângulo, chiquita, greta-garbo, laurinha, paranho, margarida, tereza, zezinha, barbiana, cebola-quente, flor, flor-de-maracujá, maçã, margarida, papoula, romã, rosa, rosinha, tapioca, cheiro-de-bacalhau, filé, língua-de-vaca, nhaca, pão-crioulo, xexéu, pichita, pililio, pitio, pixana, pixéu ou pichéu, prexeta, prexexa, xerecas, xereia, xeréia, xexeca, xexéu, xiba, xibio, xinxa, xinim, xiranha, xiri, xiricas, xiruba, xixim, xota, xoxota, bixota, bixoxota, pachecha, pachuda, pachada, pachocho, pachucha, arambá, babaca, babau, bebas, belbas, beubas; angiova, besugo, bijóia, bimba, bimba-grande; boçanha, breba, brecheca, brisda, buça, buçanha, buque, búzio ou buzio, catrana, chana, chanisco, conaça, conana, crica ou quirica, fanico, loré, patameco, inhanha, pentelheira, pentelhame, pentelhuda.
É hoje!
Para quem é fã, hoje é dia de felicidade!
A Warner começa a exibir a terceira temporada da série The L Word.
Não há como deixar de considerar isso uma vitória!
Pelo terceiro ano consecutivo, o canal de TV a Cabo continua a mostrar a série que fala do cotidiano de um grupo de lésbicas de Los Angeles. O que impressiona é que o seriado não é uma produção da própria Warner e sim do canal a cabo americano, Showtime.
Temos conseguido várias conquistas na mídia. Casais gays são vistos com “mais” naturalidade nas novelas – mesmo que a maioria deles fossem quase assexuados. A MTV já exibiu programas em que gays e lésbicas procuravam seus pares e com o tão esperado beijo na boca no final. Mas, The L Word vai além. Tem sexo, brigas, uso de drogas, traição, transexualidade, etc. Um roteiro bem feito, uma produção elaborada e direção aprimorada. O casting é ótimo e mais e mais estrelas de Hollywood aceitam fazer participações na série. As atrizes principais são lindas, tudo é muito chique e bonito. Pode ser que as Lipstick Lesbians estejam na moda por lá.
Nos EUA o público já assistiu a quarta temporada no começo desse ano. A próxima estréia em fevereiro de 2008. A cada ano, as fãs sofrem a expectativa de saber se haverá ou não mais uma temporada.
Vida longa a The L Word!!!
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